Página inicial > Revista > Comparativos > Honda Fit 1.5 EXL x Nissan Livina 1.8 SL
Comparativos - 08/06/2009 às 15:24:21
Redação AutoSimples
Ser ou não ser um monovolume? Eis a questão para Honda Fit e, agora, para o recém-chegado Nissan Livina. Fabricados no Brasil, os dois orientais usam diferentes artifícios para fugir do rótulo: o Fit seduz pelo design, atrai compradores de hatches e não é chamado pela Honda de monovolume. Já o Livina leva o título, mas quer ter fama de minivan grande, ideal para as famílias.
Apesar de terem posicionamentos distintos, Fit e Livina enfrentam disputa inevitável no mercado. Nas versões topo de linha, o ponto comum: os dois miram compradores que privilegiam a esportividade e a quantidade de equipamentos. De um lado, o Honda Fit 1.5 Flex EXL, por R$ 67.725. De outro, o Nissan Livina 1.8 Flex SL, equipado com ‘aerokit’ (aerofólio, spoilers e saias laterais), por cerca de R$ 59 mil. Entre os dois, qual você compraria? Confira os pontos fortes de cada um em nosso comparativo.
ESTILO
O Fit ganhou ainda mais vitalidade com o lançamento de sua segunda geração, no ano passado. O bem-sucedido modelo da Honda recebeu formas mais musculosas, farois dianteiros alongados para as laterais, capô avançado e outros detalhes que lhe deram, naturalmente, um visual mais agressivo. O Livina segue a sobriedade: linhas retas, menos vincos e traseira com caimento pouco suave, que lembra a primeira geração do rival Fit.
Por dentro, a lógica do design é a mesma. O visual interno do Fit salta aos olhos, enquanto o modelo da Nissan segue o tradicional, sem requintes. Os dois têm bom acabamento, apesar dos plásticos das portas e painel serem suscetíveis a riscos. Fit e Livina são equipados com trio elétrico (vidros, retrovisores e travas) e rádio CD player com leitura para MP3/ WMA e entrada auxiliar integrada ao painel. Mas só o Fit oferece entrada USB, localizada na parte inferior do painel central, ar-condicionado digital (no Livina é manual), assim como volante com controles para o áudio e piloto automático. Mesmo na versão topo de linha o Livina não oferece computador de bordo e nem bancos revestidos de couro, itens de série no Fit EXL.
As duas versões são equipadas com farois de neblina, maçanetas externas e parachoques na cor do veículo. Apenas o Fit traz retrovisores com luzes indicadoras de direção e brake-light, itens não disponíveis no concorrente. O modelo da Honda também sai de série com frisos laterais na cor do veículo, opcional no Livina por R$ 350. Em ambos, o bocal do reservatório de partida a frio fica na parte externa. No caso do Fit, a tampa tem abertura interna elétrica e fica próxima ao retrovisor externo direito, já no Livina ela está localizada abaixo do para-brisa.
DESEMPENHO
A posição de dirigir dá vantagem ao New Fit. É possível regular a altura do banco, volante e cinto de segurança, assim como a profundidade da coluna de direção. Há ainda descansa-braço para o motorista. O Livina só tem ajuste de altura do volante e peca por não trazer cinto de segurança com regulagem de altura para os bancos dianteiros.
Por outro lado, o monovolume da Nissan surpreende no quesito desempenho. O motor 1.8 litro, de 16 válvulas, e 126 cv (com álcool) e 17,5 kgfm de torque, tem comando variável de abertura de válvulas (CVVTCS), que dá fôlego ao veículo em baixas e médias rotações e favorece a potência em giros mais altos. O propulsor 1.5 l do Fit, de 115 cv (álcool) e 14,8 kgfm de torque, também é cheio de tecnologias e traz o sobrenome i-VTEC, tradução para o controle eletrônico de abertura e fechamento das válvulas da Honda, que também proporciona máxima eficiência em diversos regimes de rotação. No caso da versão 1.5 EXL, o motor privilegia a esportividade, entregando mais torque em médias e altas rotações. É por isso mesmo que o Fit mostra certa morosidade nas saídas.
Nas ultrapassagens, o Livina é ágil e confiante. Segundo testes realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), o modelo da Nissan precisa de apenas 4,5 segundos para retomar a velocidade dos 80 km/h aos 100 km/h, por exemplo. Com motor menos potente, o Fit retoma o fôlego nessa mesma velocidade em 6,9 segundos.
O câmbio do Livina é automático de quatro marchas, sem opção de trocas manuais, e traz o ‘overdrive’ (basta apertar um botão na parte esquerda da alavanca), que alonga a relação da última marcha, função útil principalmente nas estradas. Já o Fit, apesar de ter aposentado o bem-sucedido CVT, de relações contínuas, que equipava a geração anterior, agora traz transmissão automática de cinco velocidades, única no segmento, mais versátil que a do Livina por oferecer as opções ‘D’ e ‘S’ (Sport). Também é possível trocar as marchas por borboletas atrás do volante. Nos dois modelos, as trocas de marchas são perceptíveis, mas sem solavancos.
Enquanto a suspensão do Fit sofre ao encontrar os buracos da cidade, o Livina faz uso do bom isolamento acústico e filtra melhor as irregularidades do solo. Em altas velocidades, o Fit também é menos silencioso que o rival. Ao rodar, o que incomoda no Livina é o barulho da tampa do porta-malas, que parece estar sempre aberta. Os dois modelos se beneficiam da direção elétrica com assistência variável, que adapta sua leveza de acordo com a velocidade do veículo.
Nas dimensões, o modelo da Nissan leva vantagem. O espaço interno é generoso, graças aos 2,60 metros de entre-eixos, contra 2,50 m do New Fit. O porta-malas também é o trunfo do novato: são 449 litros de capacidade, sobre 384 l. Os bancos traseiros do Fit, porém, são bipartidos, rebatíveis e reclináveis, enquanto os do Livina são apenas bipartidos. Nos dois modelos, três adultos altos viajam um pouco apertados no banco de trás. Os passageiros têm mais segurança no Fit, que oferece três encostos de cabeça e cintos de três pontos para todos os ocupantes. De série, os dois são equipados com airbag duplo frontal e freios ABS com EBD (controle de estabilidade).
MERCADO
O Livina 1.8 SL tem preço sugerido de R$ 57.640 e o ‘aerokit', opcional, pode ser encontrado nas revendas por preços que variam de R$ 1.500 a R$ 2.500. O preço do seguro dos dois modelos é quase equivalente. Em cotações feitas pelo Carsale, o seguro do Fit 1.5 EXL, considerando o perfil de um homem casado, de 35 anos, que mora na capital paulista, é de R$ 2.820, contra R$ 2.448 do Livina. Para uma mulher, nessas mesmas condições, o valor fica em aproximadamente R$ 2.535 e R$ 2.220, respectivamente.
Apesar de ser quase R$ 10 mil mais barato que o rival (o Fit 1.5 EXL custa R$ 67.725), o modelo da Nissan deixa a desejar na oferta de equipamentos, itens de conforto e segurança, detalhes importantes para quem procura um modelo topo de linha. Mas nem por isso deixa de ser uma opção interessante de compra: para quem procura custo-benefício, o Livina é, sem dúvida, uma boa pedida, principalmente nas versões mais básicas.
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